O juiz federal Marcelo Bretas, que cuida dos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro, conversou nesta quarta-feira (27) sobre corrupção com o Papa Francisco, no Vaticano, e deu uma entrevista exclusiva à correspondente Ilze Scamparini.

O juiz Marcelo Bretas foi ao Vaticano para a audiência geral das quartas-feiras do Papa Francisco. Num breve encontro, o juiz brasileiro pediu ao Pontífice que continue a se manifestar a favor da transparência e do combate à corrupção.

Depois, numa entrevista ao Jornal Nacional, Bretas defendeu o julgamento de casos de corrupção por tribunais internacionais.

No caso do Brasil, o juiz acredita que há uma movimentação da parte de alguns agentes políticos para aprovar leis que dificultem o trabalho dos magistrados e do Ministério Público.

“Aparentemente existe sim um movimento por parte de alguns, não todos, mas alguns agentes de estado que eventualmente são investigados, ou têm algum interesse em discussão pelas autoridades do Poder Judiciário brasileiro. Então, tenho sim a impressão de que há um movimento nesse sentido”.

Repórter: O que poderia ser feito para evitar isso?
Bretas: Controle da sociedade, liberdade de imprensa.

E acrescentou que há ameaças à Operação Lava Jato.

“É ingenuidade achar que não vai ter algum tipo de resistência. É triste, porque eventualmente tem-se a ideia de que alguns, não são todos, mas alguns agentes públicos estão exercendo a autoridade na verdade para se defender, e não para legislar ou para administrar em benefício da população, da sociedade”.

Durante a entrevista, o juiz Marcelo Bretas também disse que recebeu diversas ameaças desde que assumiu casos da Lava Jato no Rio, e que, por isso, não pode mais levar uma vida normal na cidade.