“Os desafios da família no século XXI”: este é o tema do I Congresso Ítalo-Luso-Brasileiro de Direito, que se realiza no Pontifício Conselho para os Leigos, a Família e a Vida.

A abertura do evento, de dois dias de duração, foi feita por Dom Vicenzo Paglia, Presidente da Pontifícia Academia Pro Vita.

Em seu pronunciamento, Dom Paglia afirmou que é urgente restituir dignidade cultural à família, que deve ser inserida novamente “no coração da política, da própria economia e da sociedade”.

“A família vive numa condição paradoxal”, afirmou o bispo italiano. “De um lado, é percebida pela maioria como o local da segurança, do refúgio, do apoio para a própria vida. De outro, se tornou a encruzilhada de muitas fragilidades: os elos se quebram, as rupturas conjugais são sempre mais frequentes e, com elas, a audiência de um dos dois pais na família.”

Família líquida

Além de se disperder, dividir e recompor-se, disse Dom Paglia, multiplicam-se as formas de família: “qualquer forma de ‘viver juntos’ pode ser reivindicada como família, pois o importante – destaca-se – é o amor”. Para o bispo, o individualismo contemporâneo mais do que destruir a família, a enfraquece em prol de um reforço do individualismo. Citando o sociólogo Zygmunt Bauman, que falava da “sociedade líquida”, Dom Paglia afirmou que também a família é “líquida”.