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Papa dedica catequese ao canto do


Papa dedica catequese ao canto do "Glória" e à oração coleta

O canto do “Glória” e a oração coleta, partes dos ritos iniciais da Missa, foram os temas abordados pelo Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 10. O encontro foi realizado na Sala Paulo VI, devido ao frio intenso em Roma nessa época do ano, e deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa. A última catequese foi dedicada ao ato penitencial. Hoje, Francisco pontuou que é justamente do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina que toma vida a gratidão expressa no “Glória”, um canto antigo com o qual a Igreja glorifica a Deus. O Santo Padre explicou que o início do hino – “Glória a Deus nos altos céus” – retoma o canto dos anjos no nascimento de Jesus em Belém, o alegre anúncio do abraço entre o céu e a terra. Sobre a oração coleta, realizada após o Glória ou logo depois do ato penitencial (quando não há o Glória), o Papa explicou que com o convite “oremos”, o padre exorta o povo a recolher-se com ele em um momento de silêncio. O objetivo é ter consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir no coração de cada um as intenções pessoais para a Missa, aquilo que cada um deseja pedir. Mas o silêncio não se reduz à ausência de palavras, observou o Papa, e sim dispor-se a ouvir outras vozes, como a voz do coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo. Nesse ponto da catequese, o Papa explicou que, na liturgia, a natureza do silêncio depende do momento em que ele ocorre, podendo ajudar o recolhimento (durante o ato penitencial e após o convite à oração), ser um chamado à meditação (após as leituras ou a homilia) ou favorecer a oração interior de louvor e súplica (após a Comunhão). Talvez as pessoas tenham dias difíceis e querem invocar a ajuda de Deus, confiar a Ele o futuro da Igreja e do mundo, observou o Papa, e para isso serve esse breve silêncio antes que o sacerdote, recolhendo as intenções de cada um, faça a comum oração que conclui os ritos iniciais, fazendo a “coleta” das intenções individuais. “Recomendo vivamente aos sacerdotes observar esse momento de silêncio e não ir com pressa: ‘oremos’, e que se faça o silêncio. Recomento isso aos sacerdotes. Sem esse silêncio, corremos o risco de negligenciar o recolhimento da alma”. Francisco conclui a catequese dizendo que, no Rito Romano, as orações são concisas, mas ricas em significado, e considerou que meditar os textos, também fora da Missa, pode ajudar a aprender como se dirigir a Deus, o que pedir, quais palavras usar. “Possa a liturgia se tornar para todos nós uma verdadeira escola de oração”.
Papa adverte sobre o perigo de não trabalhar pelo fim das guerras que afetam o mundo

Papa adverte sobre o perigo de não trabalhar pelo fim das guerras que afetam o mundo

Em um discurso centrado na necessidade de promover a paz no mundo em um momento em que diversas regiões estão padecendo os efeitos da guerra e da injustiça, o Papa Francisco se dirigiu aos embaixadores acreditados junto à Santa Sé para refletir sobre os desafios que a comunidade internacional enfrenta hoje. O Santo Padre acolheu o Corpo Diplomático no Palácio Apostólico do Vaticano, na tradicional audiência de ano novo. Seu discurso começou com uma reflexão sobre as lições da Primeira Guerra Mundial, da qual se completará o centenário de seu final neste ano de 2018. Em concreto, assinalou que se pode obter duas advertências daquela disputa mundial que, “a humanidade, infelizmente, não soube compreender de imediato, encontrando-se vinte anos depois a combater um novo conflito, ainda mais devastador que o precedente”, disse em referência à Segunda Guerra Mundial. “A primeira advertência: vencer nunca significa humilhar o adversário derrotado. A paz não se constrói como afirmação do poder do vencedor sobre o vencido. Não é a lei do medo que dissuade de futuras agressões, mas a força serena de uma razoabilidade que incita ao diálogo e à mútua compreensão para sanar as diferenças”, explicou. A segunda advertência é que “a paz consolida-se quando as nações se podem confrontar em um clima de igualdade. Intuiu-o há um século – completa-se precisamente hoje – o então presidente dos Estados Unidos da América, Thomas Woodrow Wilson, quando propôs a instituição de uma associação geral das nações visando promover – para todos os Estados, grandes e pequenos, indistintamente – mútuas garantias de independência e integridade territorial. Deste modo se lançaram, idealmente, as bases daquela diplomacia multilateral que, no decurso dos anos, foi adquirindo um papel e uma influência crescentes no seio da comunidade internacional”. Desarmamento e paz Francisco destacou que a paz deve ser reconhecida universalmente “como um dos valores mais altos que se deve procurar e defender”. Nesse sentido, fez um chamado ao desarmamento, pois “o desarmamento integral e o desenvolvimento integral estão intimamente relacionados entre si. Entretanto a busca da paz como condição prévia para o desenvolvimento supõe combater a injustiça e erradicar, de forma não violenta, as causas da discórdia que levam às guerras”. “A proliferação de armas agrava claramente as situações de conflito e implica enormes custos humanos e materiais, deteriorando assim o desenvolvimento e a busca duma paz duradoura”, advertiu. O Pontífice se referiu, em concreto, a alguns países e regiões onde a paz deve ser uma prioridade para a comunidade internacional. Começou referindo-se à Península Coreana: “é de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”. Em seguida, falou da Síria, onde chamou a continuar, “em um clima propugnador de maior confiança entre as partes, as várias iniciativas de paz em curso”, “para que se consiga finalmente encerrar o longo conflito que envolveu o país e provocou imensos sofrimentos. Os votos de todos nós são que, depois de tanta destruição, tenha chegado o tempo de reconstruir. Mas, ainda mais que a construção de edifícios, é necessário reconstruir os corações, voltar a tecer a tapeçaria da mútua confiança, premissa imprescindível para o florescimento de qualquer sociedade”. Definiu como vital a proteção das minorias religiosas presentes na Síria, “entre as quais se contam os cristãos, que há séculos contribuem ativamente para a história da Síria”. Além disso, pediu pelo regresso dos “numerosos refugiados que encontraram acolhimento e refúgio nas nações vizinhas, especialmente na Jordânia, Líbano e Turquia”. Muito relacionada com o conflito na Síria é a situação do Iraque e, por isso, pediu também novos esforços de diálogo, “para que as várias componentes étnicas e religiosas possam reencontrar o caminho da reconciliação, convivência pacífica e colaboração, bem como no Iêmen e em outras partes da região, e ainda no Afeganistão”. O Papa não se esqueceu da convivência entre israelenses e palestinos e da disputa pela soberania da cidade de Jerusalém, que ocasionou episódios de violência nas últimas semanas. “A Santa Sé, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposições e convida a um esforço comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, o status quo de Jerusalém, cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos”. Em seu discurso, Francisco também dirigiu um pensamento especial à “querida Venezuela, que está atravessando uma crise política e humanitária cada vez mais dramática e sem precedentes. A Santa Sé, ao mesmo tempo em que exorta a responder sem demora às necessidades primárias da população, almeja que se criem as condições para que as eleições, agendadas para o ano em curso, sejam capazes de dar solução aos conflitos existentes, e se possa olhar de novo com serenidade para o futuro”. Incentivou também a não se esquecer dos países que sofrem a guerra na África, “especialmente no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e República Centro-Africana, onde o direito à vida está ameaçado pela exploração indiscriminada dos recursos, pelo terrorismo, pela proliferação de grupos armados e por prolongados conflitos”. “Não basta indignar-se perante tanta violência! É preciso que cada um, no seu próprio âmbito, trabalhe ativamente por remover as causas da miséria e construir pontes de fraternidade, premissa fundamental para um desenvolvimento humano autêntico”. Por último, falou da Ucrânia, onde “um esforço comum por reconstruir pontes é urgente também”. “O ano, que findou, ceifou novas vítimas no conflito que atormenta o país, continuando a infligir grandes sofrimentos à população, particularmente às famílias que moram nas áreas afetadas pela guerra e que perderam os seus entes queridos, não raro idosos e crianças”.