Cidade do Vaticano (RV) –  O sacerdote eslovaco Padre Tito Zeman será beatificado este sábado, 30 de setembro, em cerimônia realizada na Igreja da Sagrada Família em Brastislava.

A Secretaria para a Comunicação perguntou ao Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, em que circunstâncias ocorreu o seu martírio:

“A infeliz ditadura comunista do século passado havia transformado a Eslováquia e muitas outras nações do bloco soviético em um triste campo de prisioneiros. O rancor era dirigido sobretudo contra a Igreja, que mantinha viva a identidade do povo eslovaco, defendendo a sua liberdade e dignidade. Foram fechadas as escolas católicas e confiscados os seus bens; presos e condenados bispos, sacerdotes e leigos. Neste clima de autêntica perseguição, Padre Tito e muitos outros com ele, demonstraram uma coragem extraordinária, opondo-se ao ódio com a força do amor”.

SPC: O que o senhor poderia falar sobre a sua vida?

“Nascido em Vajnory, próximo a Bratislava (na Eslováquia), em 4 de janeiro de 1915, era o primogênito de uma família cristã de dez filhos. Tendo se tornado salesiano, foi ordenado sacerdote em 1940. Arriscando a vida, atravessou várias vezes a fronteira para poder trazer para a Itália alguns jovens aspirantes ao sacerdócio. Preso, foi condenado pelo regime comunista à prisão e trabalhos forçados. Morreu em 18 de janeiro de 1969. Em 1991 o processo de reabilitação o proclamou definitivamente inocente”.

SPC: Qual foi, então, a razão de sua condenação à morte?

“Foi preso porque ajudava a expatriar seminaristas e sacerdotes, para que pudessem realizar seu ideal apostólico. Foi então, condenado por alta traição a trabalhos forçados. Entre outros, foi destinado à chamada “Torre da Morte”. Lá, ele era obrigado a escavar na rocha para extrair urânio que, como se sabe, é um metal altamente tóxico e radioativo. Em um controle médico mediram a radioatividade de seu corpo, encontrando níveis  altíssimos. Por isto, Padre Zeman tornou-se um “mukl”, um homem, isto é, destinado à eliminação física. As intensas irradiações, o frio, o definhar das forças e a consciência de serem homens a serem suprimidos como insetos, tornavam o assim chamado “local de trabalho” como um autêntico campo de extermínio”.

SPC: O que se poderia dizer de sua figura de salesiano mártir?

“Trata-se de um aspecto frequentemente negligenciado mas essencial no empenhativo apostolado da educação dos jovens. Dom Bosco repetia frequentemente que, quando um salesiano sucumbe, trabalhando pelas almas, a Congregação terá um grande triunfo. E o grande educador da juventude falava não somente daquele extenuante martírio cotidiano, que é a caridade pastoral pelos jovens, mas também do martírio cruento: “Se o Senhor na sua providência quisesse dispor – ele dizia – que alguns de nós sofrêssemos o martírio, deveríamos nos assustar por isto?”.